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"Para ser democrática, [a mídia] precisa estar ecoando todas as vozes que foram historicamente silenciadas"



Ping-pong com o jornalista e historiador Marcelo Dantas


Marcelo Dantas é jornalista, historiador de formação pela Universidade Federal de

Pernambuco; escritor com contos publicados nas antologias "Luz Severa", editora Bagaço,

e "Tempo Partido", editora Novo Estilo; colunista do "Culturalidades" no podcast Expressão Livre DH; apresentador, repórter e produtor do programa TV Direitos Humanos (TVDH); assessor de imprensa do bloco carnavalesco ArTesão e do Coletivo Amostradas; assistente de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. Em entrevista no formato ping-pong, Marcelo responde questões acerca da sua trajetória

profissional e áreas que milita:


• Isabelle: Para você, quais princípios fundamentais para uma mídia democrática?


Marcelo: Uma mídia democrática deve ser, acima de tudo, plural e diversa, tanto na

representatividade de quem comunica, quanto nas vozes que são ouvidas . Além disso,

deve valorizar mídias alternativas e comunitárias, promover os direitos humanos, respeitar a

ética jornalística e garantir a participação efetiva da população na construção das

narrativas.


• Isabelle: Uma frase que representa a importância da mídia democrática?


Marcelo: Uma frase que representa a importância da mídia democrática, eu acho, é: a

mídia, para ser democrática, precisa estar ecoando todas as vozes que foram

historicamente silenciadas, todas as vozes que não tiveram esse eco. A mídia democrática

deve ser uma mídia que leve, que traga e que seja construída pelas vozes quilombolas,

pelas vozes dos povos indígenas, pelas vozes das periferias urbanas, pelas vozes da

classe trabalhadora, pelas vozes da comunidade LGBTQIAPN+.


• Isabelle: Você acredita que os jornalistas que estão se formando estão preparados

para lidar com os desafios éticos, tecnológicos e políticos de uma mídia democrática

no século XXI?


Marcelo: Sim e não. A gente tem que entender que existem diferentes graus de formação

no jornalismo. A gente tem universidades que são mais preparadas, universidades que são

mais consolidadas, que têm um quadro de funcionários maior. A gente tem que considerar

que existem estudantes com uma série de dificuldades, que existem muitos cursos que

estão cada vez mais a distância, no EAD, e muitas pessoas que têm grandes desafios

tecnológicos e de conectividade.


• Isabelle: Em uma palavra, mídia democrática pra você é:


Marcelo: Mídia democrática para você é... Rapaz, difícil responder isso em uma palavra,

não é? Em uma palavra, mídia democrática para você é... Contrapelo. Vou resgatar outra

resposta que eu tinha dado. Contrapelo, você pode botar contra-hegemônica também?

Enfim.


• Isabelle: Quais os processos sutis que ferem a democracia midiática e que as

pessoas não percebem?


Marcelo: Veja, eu acho que acontece muita coisa que não é sutil, na verdade, que é até

escancarado e que as pessoas não percebem por um fato muito importante a gente fala em

mídia, a mídia está dentro da comunicação, e a comunicação não é uma ferramenta, não é

um acessório, não é um instrumento. A comunicação é um direito, ela é um direito humano.

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